
Meus olhos dóem. Ofuscante, minha visão está esbranquiçada e não consigo ler. Devo continuar assim, para deixar de acreditar nos meus olhos ao invés dos ouvidos. E, quem sabe, começo a falar as coisas de maneira mais próxima com que eu penso. Eloquência, sabe?
Imagens que me vêm à mente neste cego instante: uma mão acaricia uma barriga, mão deslizam sobre um balcão branco sob uma luz que aparenta ser o nascer do sol, quinas de mesas, pernas de cadeira, meu cão desolado. Grades.
Diamond sea. Diamond sea.
Minha vó acaba de ligar e lhe disse que meu pai vai se casar novamente. "Não, vó, não a conheci ainda". "Sim, vó, ela é mais nova que ele. Não tão mais nova, no entanto... "Não, todavia não a conheci".
"Ah, meu filho".
Um comentário:
Eu estava vendo o que só teria sentido mais tarde - quero dizer, só mais tarde teria uma profunda falta de sentido. Só depois é que eu ia entender: o que parece falta de sentido - é o sentido. Todo momento de “falta de sentido” é exatamente a assustadora certeza de que ali há o sentido, e que não somente eu não alcanço, como não quero porque não tenho garantias. A falta de sentido só iria me assaltar mais tarde. Tomar consciência da falta de um sentido teria sido sempre o meu modo negativo de sentir o sentido? Fora a minha participação.[clarice. a paixao segundo G.H.]
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